quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Panorama museológico em Cabo Verde


O despontar material do museu em Cabo Verde é um facto recente, fruto da abertura política ao multipartidarismo a época actual. Foram criados os seguintes museus: Museu Etnográfico da Praia (1997), Museu de Resistência do Tarrafal (2000), Museu de Tabanka (2001), Museu de Arqueologia da Praia (2004), Casa da Memória (2004) Museu Municipal da ilha do Fogo (2009), Museu de Arte Tradicional em São Vicente (2009) e, finalmente, Museu da Água na ilha de S. Nicolau. De certa forma este pequeno avanço está associado às mudanças de mentalidades e dinâmicas regionais.
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1 comentários:

  1. procurei na net os museus que referes e só dois têm site - a Casa da Memória e um blog do Museu Municipal de S. Filipe da ilha do Fogo.
    dado o crescimento de cabo verde nas estatísticas do turismo, é imprescindível que cada museu tenha o seu sitio na net. não precisa de ser nada de extraordinário, mas para já um site básico, quase que só com informações de horários, localização e qual o espólio...criar sites não fica barato, por isso é de começar por um site pequeno...
    isto para que os sites das agências de viagem e das instituições de turismo tenham um link para o site do museu.

    no site do governo encontrei isto: "É determinação do Governo dotar o país de uma Rede de Museus que retratem a realidade de cada uma das ilhas que constituem este arquipélago".
    este tipo de sinergia só é possível quando cada um dos museus ou a maioria já estiver suficientemente consolidado...o que, pelo que dizes, ainda não é o caso.

    como também referes, no mesmo site tem ainda esta:"Outro grande desiderato é a formação de pessoal especializado no domínio da museologia. A formação de técnicos qualificados para dar cobertura à política cultural neste domínio será um dos objectivos prioritários".

    ora isto é complicado...com o crescimento do turismo aparece também o crescimento de postos de trabalho dentro dessa indústria, que são na maioria trabalho de baixa qualificação, trabalho na hotelaria e na restauração, e portanto relativamente longe da pretendido "formação de técnicos qualificados". estes técnicos, e aqui não sei ao certo, são formadas na Europa, o que pode criar distanciamento em relação à realidade cabo-verdiana (embora pelo que conheço, parece-me que são das comunidades que mais se mantêm ligados).

    agora o turismo cultural. o turismo é uma actividade económica, e o principal objectivo é criar lucro. a cultura é para o turismo um produto a ser explorado - o bem cultural é transformado em produto turístico.
    se a cultura tem a ganhar? sim e não. depende de vários factores. o turismo tem de investir na cultura para manter o produto operacional e fonte de receitas. e aqui investe por exemplo na sua conservação, mas também no marketing. mas este marketing pode acarretar um problema.
    e este problema com que os interesses do património têm de se acautelar é o simulacro, isto é, a criação de uma cultura para turista ver, uma espécie de cultura ao estilo fast-food, simulação de cultura.
    é que isto cria receitas para a população, por exemplo com o mercado artesanal, mas também pode criar um distanciamento das comunidades com a própria memória colectiva e suas formas de transmissão...etc.

    de resto é necessário investir em tudo o que referes, de infraestrutras a recursos humanos, passando por políticas estatais.
    relativamente ao teu post, parece-me que traças um bom panorama museológico e patrimonial.

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