terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O património e os museus em Cabo Verde. Que desafios?


Intróito
Com este título não quero dizer que não existe museus em Cabo Verde. Aliás, trata-se de uma questão sensível que mesmo o ICOM não consegue pôr cobro. Não cabe a mim tecer as considerações sobre o que é ou não um museu. É lugar-comum nas críticas que se fazem à realidade museológica em Cabo Verde mirrar os aspectos estruturais que condicionam o desenvolvimento museológico; alguns estudiosos focam na inexistência da herança de estrutura museológica e na prioridade dos factores de desenvolvimento em detrimento dos aspectos patrimoniais e museológicas.
Começo com este texto com algum optimismo por dizer que Cabo verde tem todas as condições para se desenvolver a sua museologia. Para isso, é necessário mitigar os seguintes pontos: que ainda não temos a cultura dos museus; que os museus são instituições em crise que não acrescenta nada ao desenvolvimento; que não existe práticas de coleccionismo em Cabo Verde que contribua para a criação e desenvolvimento de museus; que não existe mecanismo legislativo que regulamenta as actividades dos museus; que o património cabo-verdiano é incipiente para o desenvolvimento da sua museologia; que o Estado não apoia os museus, etc. Estes pontos aventados sustentam mitos, factos e falácias que muitas vezes tendem a naturalizar o “subdesenvolvimento” da nossa museologia. Mesmo assim, não se pode reduzir a capacidade reflexiva do fazer museológico.  
É evidente que o Estado da museologia é incipiente. Fracassa nos seus anseios porque padece de lacunas estruturais susceptíveis de mudar. Por isso, nada está perdido. O ponto forte de Cabo Verde nos sectores museológico e patrimonial não se encontra no património construído (arquitectónico) e móveis. Pelo menos, não se conhece a exuberância de todos esses patrimónios que fazem escola no Ocidente; a riqueza está no património imaterial. É neste sector que Cabo Verde deve apostar no alavancar da ciência patrimonial e museológica. Como os elementos patrimoniais estão relacionados, também não se pode descurar, contudo, os valores do património natural e material. É no aproveitamento de todos os testemunhos do passado é que se trabalha a «casa». Fazendo a analogia de Cabo Verde como uma casa, de património cultural como mobiliários e ornamentos, podemos afirmar com propriedade que a imagem da casa só ganhará notoriedade com o atributo diferenciador que é o património. O património é o elemento identitário que diferencia uma casa da outra.
Cabo Verde precisa, urgentemente, de identificar todos os elementos patrimoniais existentes. Fazer o trabalho de identificação, levantamento, inventariação e posterior estudo e dinamização são tarefas necessárias para o desenvolvimento da nossa ciência patrimonial e museológica.  Muitos estudos etnográficos poderão ajudar na identificação do património imaterial; a música também veicula a mesma preocupação. Daí que é necessário fazer trabalho exploratório tendo esses suportes de memória como elementos potenciais na identificação. Depois dos processos de identificação, inventariação, etc., serão necessários cartografar todos os elementos patrimoniais existentes.
O desenvolvimento da museologia e património passa, necessariamente, por este trabalho de memória. É com a memória é que se constrói a nação. Neste processo é importante ter a noção de que fazer o trabalho de identificação, inventariação, etc., não se compadece com a mumificação dos mesmo mas sim organizar criticamente com vista ao estudo e a dinamização.

Programar para o desenvolvimento.
Programar é necessário. É com a programação é que se consegue os melhores resultados no futuro. Os sectores museológicos e patrimoniais, apesar de alguns ganhos, ainda carecem de maior atenção por parte da tutela e dos poderes locais. Do ponto de vista dos processos museológicos e patrimoniais existem lacunas à ultrapassar por parte das tutelas, dos poderes locais, das equipas técnicas e científicas e a comunidade local. Há que criar condições legais, materiais e de recursos humanos tanto ao nível central e local; maior envolvimento da comunidade na conservação do património. A cultura de responsabilidade deve ser um dos aspectos que todos os actores devem assumir sem reservas.
Cabo Verde precisa, de uma vez por todas, se divorciar dos modelos tradicionais nos domínios museológicos e patrimoniais. Esses modelos tradicionais estão longe de poder corresponder aos anseios da população e da dinâmica de desenvolvimento. Os museus precisam de se abrir à sociedade, de serem mecanismos de desenvolvimento social e cultural da comunidade. As novidades, nas mudança paradigmática, no domínio da comunicação museológica e da conservação se traduzem em novos alicerces em termos de soluções museográficas e museológicas. Os responsáveis dos museus em Cabo Verde ainda têm uma visão cristalizada do património, como algo herdado do passado, carecendo de uma abordagem mais pragmática que a Nova Museologia sustenta; a preocupação com a comunidade e na adopção de novas soluções museográficas que apropriam soluções, que, anteriormente, não faziam parte dos discursos hegemónicos dos museus. O museu não é um lugar cristalizado (parado no tempo) mas um espaço de conhecimento, de conservação, de entretenimento, de lazer, de investigação, etc. Recorrer aos novos dispositivos de comunicação, tais como as fotografias, a oralidade, entre outros suportes, serão sem dúvidas mais eficiente e mais aliciante em termos de comunicação e de aprendizagem. No caso de Cabo Verde, com os trabalhos museográficos não faz sentido acumularem objectos nos espaços exíguos como os que existem; a solução será no cruzamento desses suportes com algumas colecções.
Para além das mudanças em termos de soluções museográficas, é necessário mudar de paradigma; se a recolha dos testemunhos do passado é feita na comunidade e pertence à comunidade, é necessário que a comunidade se revê no património. O património faz parte da identidade da comunidade, é a força criativa do pulsar colectivo que a comunidade quer ver enquadrado e implementado. Todo o processo de patrimonialização e de musealização tem que ser vista e reflectida na sua dinâmica constante, chamando a responsabilização de todos: à tutela, às autarquias, os técnicos e às comunidades. Tem de ser feita no diálogo permanente e contínuo que conduzirá a um conhecimento mais aprofundado da comunidade, envolvendo este nos processos negocial e na tomada de decisões. É com essa postura que as programações devem ser feitas, isto é ir ao encontra das aspirações sociais, económicas, culturais e ecológica da comunidade, nunca deve ser feita isoladamente.
  

2 comentários:

  1. Exmos. Senhores,
    A Equimuseus, Lda. é uma empresa especializada na concepção, fabrico e montagem de equipamento expositivo para museus, galerias, bibliotecas e exposições temporárias ou permanentes. Somos hoje líderes do mercado nacional e referência incontornável em Espanha e França, tendo colaborado com algumas das mais prestigiadas instituições destes países.
    Os nossos equipamentos são totalmente personalizados, fabricados de acordo com as necessidades e indicações do cliente. Contamos com uma equipa multidisciplinar de técnicos que garante um acompanhamento do projecto desde o inicio, colaborando estreitamente com o cliente para oferecer as melhores soluções, a preços competitivos.
    Os equipamentos por nós executados incluem Vitrines, Socos, Peanhas, Plintos, Painéis, Expositores e Balcões.
    Na expectativa de futuras colaborações, agradecemos que incluam a nossa referência nas vossas bases de dados.
    Para mais informações, consultem o nosso site em http://www.equimuseus.eu

    Com os nossos cumprimentos
    Ana Gonçalves

    ResponderEliminar
  2. Obrigado pela apresentação e considerações. vamos adicionar o contacto.

    ResponderEliminar