segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O que é e para quê a economia da cultura? Dialogando com os meus botões


Durante os últimos tempos tem-se falado muito da economia da cultura. Este conceito é fruto da transdisciplinaridade entre as duas dimensões: a economia e a cultura. Cabral antes de morrer falou da necessidade de valorizar a cultura local. Le Goff já tinha falado da necessidade de dar valor à cultura, enquanto elemento transversal de todas as actividades governamentais, sendo um elemento indispensável para a eficácia e a eficiência da actividade governamental e da vida colectiva. O Le Goff tinha razão. Entretanto, os governos nunca se aperceberam da importância deste sector para a economia e para a felicidade colectiva. A cultura foi e é sempre vista como parente pobre das acções governativas. Os governantes vêem nos criadores e agentes culturais como pedintes, como sonhadores que pertencem à utopia de Hobbes. Enfim tudo errado.
Em Cabo Verde este assunto já virou moda. No entanto constata-se muita prosa e hipocrisia nisto tudo. Os criadores nacionais são constantemente empurrado para o desespero porque não há mecanismo que os protejam, inexistência de apoio porque o bolo de orçamento não dá para satisfazer as demandas; a SOCA (sociedade dos criadores cabo-verdianos) apesar da sua existência ainda está longe da sua real eficácia; o anterior governante, Manuel Veiga fez tudo em desconforme com o programa do governo, daí a sua suspensão; esta nova ministra Fernanda Marques, no fim da legislatura traz um conjunto de disposições, servindo de pauta para a legislação da nossa economia da cultura, certo é que ainda está na fase da recolha de subsídios; na TCV, na notícia de 29 de Outubro, apresenta uma peça morna, triste e de pessoas com olhares apreensivos que pensa como será e porque será.  
Vendo para os meus botões, achei melhor dar umas dicas ao pessoal lá na República para tomarem notas. Realmente se se pretende desenvolver uma economia da cultura serão necessárias várias acções que infelizmente não foram desenvolvidos: trabalho de levantamento da memória colectiva e institucional, isto é, inventariar o património cultural existente; legislar com novo enquadramento para proteger o património cultural; criar uma política para o mesmo; incentivar e apoiar os criadores com bolsas de formação para que possam desenvolver as suas habilidades; desenvolver a industria criativa com base no nosso património imaterial, caso de design, banda desenhadas, Romances, audiovisual, etc.; descentralizar os processos, criando delegações nas ilhas; aumentar o bolo orçamental: para criar espaços culturais, apostar na internacionalização com a criação de agências para o efeito; incentivar os novos jovens quadros para criarem sofware, base de dados das nossas produções culturais; parece-me que muitas massas criativas podem dar um valioso contributo sobre esse aspecto; compilar os nossos acervos de todas manifestações culturais; incentivar trabalhos inovadores que espelhem a nossa realidade cultural, etc.
Enfim, com os meus botões posso dizer muitas coisas. São verdades convenientes e inconvenientes para muitas pessoas que tiveram oportunidade de fazer e não o fizeram. Outra coisa importante é a criação de mecanismos de prestação de contas dos nossos responsáveis.
Não falei da política museológica, no quadro, da chamada industria cultural porque é um assunto que merece uma atenção mais cuidada. Na mesma senda reflectirei sobre o power da nossa música na nossa indústria cultural, concomitantemente com outras formas de expressão cultural. Na minha opinião, o campo cultural cabo-verdiano precisa muito de um empurrão. Nisso cabe ao governo harmonizar as necessárias avenças para com o futuro.

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