sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Calou uma voz: de longe os pássaros voam, no céu nasce uma estrela

Na vida há sempre situações imprevistas. A imprevisibilidade conta sempre quando tempos uma má noticia; defraudação das nossas expectativas, o rombo de agendas, e a perda de uma pessoa “querida” por todos. Não se trata de ser “querida” mas sim a sustentação de um capital simbólico que uma pessoa sustenta. Não acredito em aura, nem em milagres essencialista que define uma identidade. O lado humano da pessoa que sustenta o atributo de “rainha” é que me fez escrever este texto post mortem  Nha Nácia Gomi.
O som de Santiago ficou mais pobre. A voz parou. Ficou tudo turvo, uma escuridão intensa. Os corações palpitam num ritmo monocórdico, tum, tum, tum, as lágrimas escorregam nas faces negras das badias de Santiago, os impulsos trémulos vigoram nas gargantas com tons de choros e gemidos. Era Ah Nha Nácia, Ah Nha Nácia… os sentimentos contaminam, povoando cutelos e achadas de Santiago. Na Achada Fátima as pessoas seguem em romaria…
O som de Santiago, Santiago profundo, de tom suave e electrizante bradou para a urbe os seus conselhos, lamentações, lamúrias, mas também sinais de fuga dos atropelos do quotidiano. Ela percebeu que a vida era dura, que as pessoas eram falsas “dentu alguém sta alguém”… mas também nem tudo eram amarguras, pois também a vida era festa e compromissos com a vida. Nos casamentos e festa popular sem Nha Nácia Gomi a festa não tinha sucesso.

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