domingo, 20 de fevereiro de 2011

Campanas de Baixo em festa para comemorar “Banderona”



A comunidade de Campanas de Baixo, no concelho de São Filipe, Fogo, celebra até 28 de Fevereiro a “Banderona”. É uma festa tradicional de cariz profano-religioso que ganhou tal designação por ser a mais longa em toda a Ilha do Fogo

A festa começou no último fim-de-semana, com o fincar das barracas e o ritual do pilão (preparação do milho para o almoço) prolonga-se até véspera da matança dos animais na casa do festeiro e na casa de Praia. Depois há a tradicional matança dos animais cuja carne é utilizada para o almoço que é servido a centenas de convidados. E com a festa no seu auge nomeia-se o novo festeiro, entidade que terá a responsabilidade de repetir a tradição no próximo ano.
A Bandeira, que leva centenas de pessoas a Campanas, surgiu há mais de dois séculos. Reza a lenda que surgiu quando as pessoas daquela região ouviram no assobiar do vento, sons comparados com o toque de tambor e cantigas no ar, ao longo de 10 dias. Seguiram-se relâmpagos, trovões, tendo um raio caído numa Ribeira onde brincavam algumas crianças. A partir daí, a festa começou com as crianças que tocavam em latas. Com o passar dos anos, a festa foi ganhando dimensão e hoje é uma das mais antigas de Cabo Verde.

Pilão e Colá
Os dias da Bandeirona são feitos de pilão e muito “colá”. O ritual da matança dos animais acontece um dia antes do término da festa e é considerado como um dos momentos mais esperados da Banderona.
A matança é acompanhada pelo rufar dos tambores e cânticos das “coladeras”. Enquanto decorre a matança, e segundo o ritual da festa, surgem ladrões mascarados, que roubam e desaparecem, mas que nesse dia são apanhados e amarrados. No vigésimo terceiro dia da Festa, a Bandeira é levada à igreja para a celebração da missa e para receber a bênção do padre, regressando, de novo, à casa do festeiro, onde é colocada num altar, para ouvir as promessas e para lhe acenderem velas.
Conjuntamente com o “Kordidjeru” (governador da festa) existe a figura do juiz, que auxilia aquele a presidir à votação ou nomeação dos festeiros que deverão tomar as bandeiras para o ano seguinte. Essa escolha faz-se na cerimónia denominada de “Bote”, que se realiza depois da fixação do mastro. Para acompanhar as actividades da Banderona, existe um corpo de coladores (homens e mulheres), responsáveis pelos cânticos e coro, que são acompanhados por dois ou mais “caxerus” ou tamboreiros, que tocam os vários ritmos do “brial-de-bandeira”, bem típico do Fogo. Os coladores ou coladeras vão colando, cantando, elogiando as pessoas ou enaltecendo um ou outro evento. Responde-lhes o coro, o chamado “kudi baxon”, enquanto os tambores vão rufando de forma ritmada e certa, com raras variações.


Afirmação social
O festeiro deste ano é Rodrigo Tavares, um filho de Campanas. A cada ano os festeiros homenageiam uma figura daquela localidade que se tenha destacado em qualquer actividade. De recordar que “tomar bandeira” é um acto de fé que honra uma promessa, mas também um gesto de afirmação social. Daí que nos últimos anos a Banderona tenha sido “tomada” apenas por emigrantes; em regra, pessoas com alguma posse em termos materiais e financeiros. Este ano a festa será animada com espectáculos musicais, ao vivo. Nho Nany, Amadeu Fontes, Dj’Dos e Leonel Almeida são os senhores que se perfilam no palco.


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