segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Flores do Mindelo: Mi ê dod na… Carnaval

CARNAVAL EM MOVIMENTO: A propósito dos preparativos
 
 
Grupo espera juntar mais de um milhar de figurantes e sai à rua "para ganhar".
Numa homenagem às mulheres, o grupo Flores do Mindelo sai este ano à rua sob o mote ‘mi ê dod na bo'. A escolha aproveita uma coincidência do calendário, já que a terça-feira de Carnaval calha a 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.
O tema estará presente num carro alegórico - dos dois que vão sair para a rua - e nos trajes dos foliões. Ao mesmo tempo, a organização promete "outras surpresas", mantidas em segredo até ao último minuto.
Os ensaios, que decorrem na antiga esquadra de Polícia, em frente ao Mercado do Peixe, "estão a correr bem", com uma preocupação especial na segurança dos voluntários. "Por causa dos gangs, muita gente tem medo de vir aos ensaios e por isso estamos a trabalhar para tentar evitar problemas", revela Edson Delgado.
"Temos um número muito maior de pessoas do que no ano passado". O vice-presidente do grupo carnavalesco já fez as contas e se em 2010 o Flores do Mindelo conseguiu pôr a desfilar para cima de mil figurantes, este ano quer não só repetir a proeza, como ampliá-la. "Temos muitos mais inscritos", confessa. "Já parámos as inscrições em algumas alas".
Serão nove as alas que se sujeitarão ao escrutínio do júri. "Nós estamos a representar a ilha para os turistas e para o nosso povo. É uma grande responsabilidade que temos". Um ‘fardo' que o grupo carrega com orgulho, apesar das dificuldades que têm de enfrentar.
Os preparativos para o desfile consomem tempo e dinheiro. Uma semana depois do Carnaval, a direcção reúne-se e discute entre si o tema do ano seguinte. Segue-se um período de maturação e, seis meses antes, começa-se a trabalhar nos trajes, nas músicas, nos carros, na coreografia e em cada detalhe, para que tudo fique perfeito.
O problema é sempre o mesmo: financiamento. A autarquia "dá uma boa ajuda", mas o valor não é suficiente para cobrir todas as despesas. Torna-se necessário pedir patrocínios, numa missão nem sempre bem sucedida: convencer empresas e particulares sobre as vantagens do investimento. "Isto é tudo muito caro. Temos a ajuda que é dada pela Câmara, que é uma contribuição muito boa e que ajuda muito, mas não chega e somos obrigados a correr atrás de outros patrocinadores. Não é fácil colocar um andor na estrada. Temos de economizar, e aproveitar os recursos ao máximo".
"Aguentamos muitas coisas, ofensas e insultos que as pessoas dizem e que não cabem na cabeça de ninguém", desabafa o filho de Ana Jesus Soares, a presidente que lidera os destinos do colectivo desde 2004.
"É muita canseira e muito trabalho, mas com o objectivo de ver um bom resultado final, no dia do desfile. A cada ano vamos melhorando", assegura.
Do sonho à realidade
No estaleiro do Flores do Mindelo, perto de três dezenas de trabalhadores tornam o sonho realidade, enquanto dão forma aos esboços em papel. Desde a década de 70 que o grupo celebra o Entrudo. Se nos ensaios o que se ouve são os acordes das músicas de Constantino Cardoso e Vlú, algumas centenas de metros acima, não muito longe da Praça Dr. Regala, ecoa o som dos martelos.
Vive-se um clima de festa antecipada, que dará lugar, em breve, a um ‘nervoso miudinho' de quem vê o dia D a aproximar-se e anseia que tudo possa estar pronto a tempo e horas.
"É muita emoção", desabafa Ivanilda Delgado, irmã de Edson. Do Carnaval, gosta de tudo, "da música, da alegria, do ambiente" e reconhece que esses são os ingredientes que fazem do Mindelo a capital da folia.
Durante três dias, a euforia invade as ruas da cidade, milhares de pessoas saem de casa e dão razão a quem diz que São Vicente é festa.
Edson Delgado só lamenta que, quarta-feira de cinzas, tudo caia no esquecimento. Poderia ser diferente. "Bastava que os diferentes grupos se sensibilizassem e se unissem".
"As pessoas esperam que a câmara ou o governo resolvam os seus problemas. Devíamos estar mais unidos e empenhados em criar algo que nos sustentasse, sem dependermos de apoios públicos. Se assim fosse, poderíamos trabalhar todo o ano e não apenas nos meses antes do Carnaval".
As rivalidades, reconhece, têm de se limitar ao momento do concurso, altura em que todos desfilam com um propósito: vencer.
O Flores do Mindelo sai para ganhar. "Não gostamos de ficar em segundo, porque o segundo é o primeiro dos últimos", conclui.

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