sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Os dois irmãos de Cabo Verde e a cimboa

O Patrimonium.cv vai dedicar um espaço especial aos dois musicos-irmãos do panorama musical cabo-verdiana: Mário Lúcio e Princezito. Dois irreverentes, bem aos seus estilos. Um "arqueólogo" d'alma universal e da cabo-verdianidade e o outro um "arqueólogo" da vivência local de interior de Santiago que não deixa de ser de cabo-verdianidade. Uma origem comum, umbigos da criatividade e da "irreverência". Ambos tiveram experiência na diáspora, estudantes em Cuba, que corporizam vários corpos e várias almas.
Os dados biográficos dos dois são conhecidos. As experiências de fuga de normas locais (conservadora e mesquinha) são os ingredientes de sucessos, de espírito livre e de criatividade.

Dados biográficos:

a) Mários Lúcio é uma natureza criativa, músico multi-instrumentalista, escritor e dramaturgo, formado em direito, escolheu a música por mero chamamento de alma. Deixou tudo para se dedicar a via artistica. Realmente, corre na sua veia o pulsar criativo, impressionante, no panorama criativo cabo-verdiano.
já exerceu cargos no panorama político e cultural em Cabo Verde, aufere actualmente um capital cultural e simbólico que não se vê nos seus pares. Sempre ao seu estilo, muito bom, destenido para novas sonoralidades e experiências com outros músicos da humanidade.

b) Princesito, um novo etnógrafo das vivências do quatidiano dos badios e badias. Igualmente formou-se em Cuba no qual bebeu experiência revolucionária de ser e de fazer música de Cabo Verde. Não o conheço pessoalmente, mas sua carga criativa é impressionante. No seu primeiro trabalho spiga transporta-nos para o interior de santiago para cantar as crónicas das pessoas simples, das vivências nas ilhas e a sua remissão para o continente africano. Pilon Kam, grande sucesso bem ao estilo de Manu Chao; Hernani, Hernani meu colega no Porto que tens a dizer?
Mário Lúcio com a cimboa:

Mário Lúcio, ao seu estilo intimista, executa a cimboa que nos faz lembrar o blues. Um performance que cruza sonoridade vocal e instrumental da cimboa muito bem conseguido, pelo que abre para novo campo interpretativo desse instrumento, outrora em desuso. Mário Lúcio faz igualmente uma homenagem à diáspora de escravos que passaram para Cabo Verde.  
Através de programa de salvaguarda, a cimboa caminha a passos largos para a ocupação de novo espaço sonoro na música cabo-verdiana. Quiçá futuramente, em harmonia com o violão de 10 cordas num som de compasso na morna, coladeira e outros géneros musicais...
Em cabo Verde as coisas acontecem de forma inesperada. Já aguém experimentou no seu covil recriar o batuque com violão; recriar funaná com os instrumentos electronicos; recriar novos ritmos em passos acelerados, caso da morna transformado em coladeira... As coisas acontencem sempre no covil da criatividade, cimentar nova alma, nova experiência sonora...
Só falta organização. A capacidade de transformar o produto em retorno para fintar a miséria de muitos artistas cabo-verdianos. Imagina... se apostarem na organização com amor como têm despreendido na criação... era gota d'agua pa tudu boka.
No mesmo video pode ser apreciado Dodu, Pilonkam, Lua, etc.
Boa estadia

0 comentários:

Enviar um comentário