sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mindelo-blues: nos primórdios da dinâmica populacional e institucional

No seu pulsar de desenvolvimento, Mindelo teve que experimentar alguns processos de autonomia administrativa e a edificação de elementos estruturantes para o seu desenvolvimento. São Vicente estava juridicamente sob a alçada da administração de Santo Antão, por isso a conquista da sua autonomia era a condição sine qua non para o trilhar do desenvolvimento. Para esse feito, Mindelo constituiu o seu governo local e a criou uma alfândega de categoria de despacho maior, dado o número cada vez maior das demandas dos navios que procuravam a ilha (Lopes, 2005:80).
Qualquer processo de desenvolvimento briga com as situações (im) previstas que descapitaliza os factores de desenvolvimento. No caso de São Vicente, o destino de desenvolvimento já estava traçado malgrado o evento de peste amarela que assolara a ilha. Em 1852 a ilha viveu e conviveu com a peste dezimara quase metade da população, dos 1400 habitantes existentes na ilha. Para uma ilha que acabara de entrar no processo de povoamento, era evidente que alguns elementos estruturantes não estariam consolidadas, pelo contrário, a dependência administrativa, as condições de higiene e medicamentosas, entre outros, não encontravam espaços na ilha. Apesar desse sufoco, a população ganhara regeneração com o contributo dos migrantes  de outras ilhas (Almeida, 2009: 16).
A autonomia administrativa exigia a criação de condições humanas e materiais para a construções e posterior consolidação. A introdução de figurinos administrativos aconteceu em Março de 1852, com a visita do Governador-geral de Cabo Verde a ilha. Nesse âmbito, através de algumas deliberações, foi criada a Comissão Municipal cujos figurinos consistiam em seguintes elementos: juiz ordinário, Juiz de paz, escrivães, etc. A competência desse figurino era equiparável a uma câmara municipal. Em 1879 houve a mudança da Comissão para a Câmara efectiva, com a deliberação do estatuto da cidade.
A ilha de São Vicente vislumbrara alguma infra-estruturação, caso da Igreja da Nossa Senhora da Luz, Alfandega, um quartel (famoso Fortim d’el Rei), um palacete do governo, os paços do Concelho (onde se situa a actual câmara Municipal, a cadeira civil, um mercado Municipal, obras de saneamento, e de embelezamento da cidade, etc. Foi também nessa altura que foi lançada a primeira base para a construção do primeiro hospital da ilha, e era a primeira ilha a dispor de água canalizada. Para além dessas obras públicas, a ilha conheceu algumas iniciativas privadas, caso da agencia Millers de venda a grossos de produtos variados, loja de revenda, padaria, talhos, casas de pasto (fornecedores de refeições), três hotéis, etc.  
No sector educativo, a ilha conheceu iniciativa na instrução primária com as construções de escolas para os dois sexos em separado. A escola Camões, de 1880, fora destinada a formação feminina e a constituição da primeira biblioteca pública em Cabo Verde.
A infra-estruturação da ilha seguia o ritmo de progressão populacional. As actividades portuárias eram o garante de inúmeras construções na ilha. Uma área significativa da cidade do Mindelo fora destinadas as companhias inglesas para a construção de vários edifícios administrativos, residenciais e espaços culturais, caso de salões de convívio.

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