quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Para pensar. Opinião certeira, 100% de acordo

Faz parte de filosofia deste espaço apresentar artigos da minha autoria. No entanto tenho levantado o véu, identificando (namorando até) opiniões que têm muito a ver com a minha forma de ver e pensar o desenvolvimento de Cabo Verde.
Já calcorreamos duas legislaturas, com algumas promessas de permeio. Infelizmente NADA. Será desta, com este governo, com um novo figurino é que se trabalha, apaixonadamente, a ECONOMIA DA CULTURA?
Outros questionamentos surgem naturalmente, realçando as nossas fragilidades e vícios...
Uma parte de trecho do artigo de Olavo Correia para deliciar…
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Se os países africanos que constam do "top ten" de crescimento dependem sobremaneira das matérias-primas e dos produtos naturais para o seu crescimento, Cabo Verde não pode ter esse perfil de crescimento. Cabo Verde é, claramente, uma economia de serviços e uma economia da cultura. A cultura está para Cabo Verde como o petróleo está para a Arábia Saudita, o gás natural para a Rússia, o cacau para a Costa do Marfim, o café para o Brasil, o ferro para a Austrália e o aço para a China. A vantagem para Cabo Verde é que a cultura é um recurso renovável, contribuindo para a inclusão social, melhor educação, maior autoconfiança e projecção internacional.

Precisamos, sim, de um Sputnik cultural, como dizia há dias Barack Obama, para que a cultura e o turismo possam erguer-se num dos principais motores de crescimento da economia cabo-verdiana. Não é de uma cultura apenas generosa, magnânima e folclórica. Não é de uma cultura pedinte que precisamos. Precisamos de algo radicalmente diferente. Precisamos de um novo modelo de desenvolvimento em que um dos pilares essenciais é a promoção da cultura e da indústria criativa.

O turismo e a cultura geram, a nível mundial, uma receita anual de US$ 3,4 triliões, ou seja, 11% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. A taxa de crescimento atinge 6% ao ano, contra um crescimento da economia mundial de 5%.

A cultura e a indústria criativa representam hoje 5% do PIB na Europa e 3.4% do emprego total. Na Inglaterra, a cultura atinge os 8% do PIB e 5% do emprego; na Dinamarca 5.3% do PIB e 12% do emprego; na Holanda 3.2% do emprego e 0.14% das exportações; e na Finlândia 3.8% do PIB e 3.2 % do emprego.

As pequenas economias insulares são interpeladas a elegerem, neste quadro, algumas prioridades e compromissos, desde logo: (a) Garantir o desenvolvimento de uma política cultural nacional, criando um quadro legal de suporte às indústrias culturais e criativas nas áreas como a música, arte, literatura, gastronomia, moda, festivais, teatro, filmes, desporto e turismo cultural; (b) Desenvolver medidas de protecção do ambiente e contexto naturais, do património cultural tangível e intangível, assim como a afectação de recursos para a promoção das iniciativas nacionais e locais; (c) Criar a capacidade institucional para defender, promover e divulgar os produtos culturais e a protecção da propriedade intelectual, e (d) desenvolver capitais de risco e fundos de incentivo à cultura, facilitando o acesso ao crédito por parte de pequenas e médias empresas e das iniciativas individuais.

Não há política cultural estruturada em Cabo Verde. Afectamos ao sector da cultura apenas 0.36% do orçamento de investimento. O orçamento global é de cerca de 0.2% do PIB. Luxemburgo investe 0.5% do PIB, o dobro.

Brasil propõe-se investir 2% do orçamento. Actualmente investe 0.6%. As Maurícias investem cerca de 1% do orçamento na cultura. Cabo Verde tem de atingir, rapidamente, esta fasquia, investindo pelo menos 1% do orçamento na cultura, assumindo a recomendação das Nações Unidas. Para além de um orçamento capaz, é preciso uma administração hábil, reformulando a administração das instituições de cultura.

Cabo Verde tem potencial para desenvolver o cluster da cultura e transformar-se numa "Nação cultural autêntica e original". Cabo Verde tem potencialidades para ser uma Zona Franca Cultural, estabelecendo zonas de comércio franco nos empreendimentos ou áreas de concentração da actividade turística e de negócios. Temos condições para criamos verdadeiras cidades culturais no Sal, em São Vicente e em Santa Catarina, na Ilha de Santiago. Um País onde os bens culturais circulam livremente, procurando incubar pequenas e médias empresas culturais nacionais que possam associar a criatividade à geração de empregos, receitas e bem-estar. Temos de fazer da cultura uma área de negócio que represente pelo menos um por cento do PIB nacional, durante a próxima legislatura e destinar, até ao final do mesmo período, 1 por cento do Orçamento do Estado para a dinamização da cultura. Apenas o manifesto do MpD está em linha com esta visão. É preciso, de facto, mudar de política cultural.

Uma mudança que exige também uma vigilância apertada face aos compromissos assumidos e sobretudo capacidade de implementação e de execução de políticas culturais. Esta é a hora.
Opinião de Olavo Correia
9-2-2011, 19:13:31

Fonte: http://www.expressodasilhas.sapo.cv/pt/noticias/detail/id/22958

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