quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Santa Catarina: Festividades de Tabanka 2010 arrancam em Chã de Tanque

A abertura oficial das festividades de Tabanka 2010 arrancou com a festa de Santa Cruz, numa altura em que essa manifestação cultural se encontra em estado de agonia.



Segundo o presidente da Associação Nacional de Tabanka (ANT), Luís Leite, este ano a celebração da Santíssima Cruz “foi um momento histórico”. Primeiro, porque contou com a presença da Tabanka de Salineiro, que há 40 anos não participava nas festas. Segundo, porque pela primeira vez a comunidade recebeu a bênção de um padre.
As festas da Santíssima Cruz, que se celebra na comunidade de Ribeirão Grácia, localidade de Chã de Tanque, concelho de Santa Catarina de Santiago, marcaram o arranque das festividades de Tabanka no concelho, que se prolongarão até meados de Julho.
“Da mesma forma que a igreja católica celebra a Nossa senhora de Fátima e Santa Catarina, a Tabanka também celebra os seus santos padroeiros que são quatro: Santa Cruz, a 3 de Maio, Santo António, 13 de Junho, São João Baptista, 24 de Junho e São Pedro, 29 de Junho.
A festa de Santa Cruz iniciou no primeiro domingo de Páscoa com a Salva. A 3 de Maio foi içada a bandeira. No dia 12 de Maio foi feita o “Santamento”, cerimónia em que cada membro da Tabanka diz o que vai ofertar para os festejos. No dia 14, o grupo assistiu à missa na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, seguido de um desfile pela cidade de Assomada. No dia 15 foi “armada” a Corte e realizada uma ladainha com a comunidade de rebelados de Espinho Branco, das 21 até às 7 horas da manhã”, explica Luís leite, presidente da Associação Nacional de Tabanka (ANT).
Domingo é especial, pois é o dia de convívio com grupos de tabanka de outras localidades. Este ano, a Tabanka de Ribeirão Grácia recebeu os grupos de Tabanka do concelho de Santa Cruz e de Salineiro, da Cidade Velha, um momento considerado “histórico” para a comunidade.
“Foi um momento histórico porque a Tabanka de Salineiro, que antigamente participava todos os anos nas festas de Santa Cruz, regressou à Ribeirão Grácia, 40 anos depois, graças à recuperação deste grupo no ano passado”, afirma Luís Leite.
Um outro momento que marcou as festividades de tabanka de Santa Cruz deste ano foi a presença do pároco de Santa Catarina, Angelino Coelho, na comunidade.
“A ida do padre à comunidade foi um reconhecimento de que, realmente, são um povo cristão. Durante muito tempo foram vistos como pessoas estranhas e não cristãs. Mas a presença do padre veio mostrar que a igreja quer ver a cultura de tabanka a desenvolver-se, não quer mais rejeitá-la. É, sem dúvida, uma abertura que a tabanka esperava há muito tempo. Teve um significado profundo na comunidade: A nível religioso acredito que, de agora em diante, a festa passará a ter mais brilho”, assegura o responsável da ANT.
As festas de tabanka no concelho Santa Catarina irão prolongar-se até meados de Julho.
Tabanka em estado de agonia
Apesar do clima de festa que se vive por estas alturas nas várias comunidades de Tabanka de Santa Catarina, Luís Leite não deixa de chamar a atenção para o estado em que se encontra a tabanka.
Segundo Leite, dos mais de 50 grupos de tabanka que existiam em Cabo Verde restam apenas 17, que sobrevivem a duras penas.
“À maioria dos grupos falta tudo: instrumentos, capela e vestuários. As únicas tabankas que se encontram “vestidas” neste momento são as três tabankas da Praia: Achada Santo António, Várzea e Achada Grande. A tabanka está a atravessar sérios problemas”, sentencia Luís Leite.
Para aquele responsável, tratando-se de um Património Cultural Nacional e com a pretensão de vir a ser Património Mundial, a tabanka merece um tratamento “sério” não só por parte do poder central como também do poder local.
“É preciso criar um programa com vista a apoiar os grupos que ainda existem. Ao poder central, eu sugiro a atribuição de um subsídio anual e o financiamento de projectos com vista a aquisição de instrumentos e vestuários e a construção e reabilitação de algumas capelas. Ao poder local, cabe-lhes apoiar a realização de festivais de tabanka nos concelhos onde haja grupos.
No ano passado foram recuperados dois grupos: Tabanka de Salineiro, da Cidade Velha, e Tabanka de Ribeira Acima, de Santa Catarina. Luís Leite acredita que, caso houver ajuda por parte do Ministério da Cultura, será possível recuperar, pelo menos, mais cinco grupos.
Actualmente existem 17 grupos de tabanka activos: 3 na cidade da Praia, 11 em Santa Catarina, 1 em Santa Cruz, 1 em Salineiro, Cidade Velha, e 1 na ilha do Maio.
Raquel Mendes


para mais informação consultar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabanca


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