segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sonhos Sem Limite: Deixem-me Sonhar!

 
Fomos encontrar São Costa, entre tecidos, brilhos e lantejoulas, empenhada na preparação da sua escola no estaleiro de Sonhos sem Limite, em Ribeira de Julião. A carnavalesca está a ‘apostar todas as fichas' no Carnaval do Mindelo 2011. Afirma que de outro modo não valeria a pena a sua dedicação e empenho. "Se participo de um Carnaval é claro que é para ganhar. Aposto sempre no primeiro lugar," garante.
A paixão pelo Carnaval surgiu ainda pequena quando desfilava no grupo ‘Oriundos' do seu pai, fez parte da direcção de um outro grupo carnavalesco mas, em 1998 decidiu criar o seu próprio grupo. Nasceu assim, ‘Sonhos sem Limite' que este ano comemora o seu décimo segundo aniversário e, que já faz parte da história do Carnaval mindelense.
Igual a si mesma e, com a frontalidade que lhe é característica, declara que espera que a Câmara Municipal de São Vicente escolha, este ano, pessoas que percebem do Carnaval para compor o corpo de jurados. "Eu sei o que é arte porque no meu dia-a-dia trabalho com isso e, para mim, a CMSV devia mandar os júris fazer uma formação", complementa São Costa.
"Não podemos convidar um médico ou professor universitário para ser júri e avaliar todo um esforço de uma escola. Tem de ser alguém que percebe e valoriza o esforço, a natureza do trabalho, a melodia e o ritmo da música, o corte, a confecção e a qualidade da costura dos trajes, além da organização da escola na avenida", critica.
Não sabe quem serão os convidados para o júri que irá avaliar o seu trabalho na terça-feira do Carnaval, mas garante que não está interessada em saber. Prefere apostar na dedicação ao seu trabalho do que fazer como "outras pessoas que quando sabem que alguém fará parte do jurado vai logo procurar essa pessoa para garantir um voto."
Quanto ao Carnaval anterior continua sem perceber como foi parar ao terceiro lugar na classificação final e segundo a opinião dos jurados.
"Fiquei no terceiro lugar, mas ganhei os prémios para o melhor mestre-sala, o Rei, a primeira-dama, e a melhor música. Cinco prémios, portanto. Já Monte Sossego que me venceu, ficou em segundo lugar, mas não levou nenhum prémio para casa. Mesmo quem não perceba nada do Carnaval vai considerar isso estranho. É preciso ver isso", afirma inconformada.
Rejeita a ideia de ser perfeccionista, mas está por trás de tudo o que acontece no Grupo carnavalesco ‘Sonhos Sem Limite', que preside desde 1998. Nenhum desenho passa à realidade sem a sua aprovação, a sua presença é constante e faz questão de meter mãos à obra e pregar, colar, costurar ao lado dos seus artistas que carinhosamente a tratam por ‘Mamy'.
Este ano, o tema da escola faz jus ao seu nome. ‘Deixem-me sonhar!' É o recado que esta escola trará à avenida cidade de Lisboa na terça-feira do Carnaval além da homenagem ao ‘Jon Boi', figura marcante da sociedade mindelense, antigo talhante e tocador de tambor. Quanto às composições musicais Sonhos sem Limite conta com duas, da autoria de Vlú e Constantino.

Quanto ao lado financeiro, a presidente de Sonhos sem Limite apela aos empresários e amigos da Escola que não deixem de patrocinar e de apoiar o Carnaval mindelense.
"Até agora, só temos o apoio financeiro da CMSV. Temos um grupo de patrocinadores que normalmente apoiam a escola, ainda não abriram a mão, mas eu tenho esperança que o façam porque eles não vão deixar morrer a nossa cultura. È importante porque todos sabemos que muitos emigrantes e estrangeiros marcam as suas férias para a altura do Carnaval e, por isso, ganhou uma projecção e um valor altíssimo para o turismo. Com a internet, muitos turistas já conhecem um pouco a fama do nosso Carnaval que evolui de dia para dia, logo temos de pegar nele com força", recomenda.
O grupo Sonhos sem Limite também tem sentido os efeitos da crise já que as pessoas que normalmente desfilam pelo grupo têm confessado fala de verba para pagar os trajes. Como o número de figurantes ou passistas que compõem as escolas também será avaliado pelo júri, São Costa afirma que a escola vai ajudar algumas pessoas a custear os seus trajes, à semelhança do que também já foi dito por outros grupos carnavalescos.


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