sábado, 28 de maio de 2011

LUIS RENDALL FINALMENTE RECONHECIDO


A iniciativa de músicos portugueses visa fazer saltar além fronteiras a obra do genial compositor cabo-verdiano, dando-lhe a visibilidade internacional que merece e o alcance do seu património justifica, registando-o fonograficamente para a posteridade.
«Fogo Di Mar simboliza o fogo que brota do mar, o magma vulcânico que surge dos fundos oceânicos e como que por magia gerou as terras deste povo sui generis, feito de tantas gentes do mundo» Lisboa, 28 de Maio – Fogo Di Mar é um projecto que tem como pano de fundo o compositor cabo-verdiano Luís Rendall, centrado no reconhecimento da genialidade da sua música e apostado em registar fonograficamente a obra desta referência maior da cultura de Cabo Verde, perpetuando o seu legado e tornando-o conhecido fora do arquipélago.
A iniciativa partiu de Sérgio Figueira e Gustavo Aquino que, “rendidos à qualidade do trabalho deste excepcional compositor”, apostaram em “dedicar-lhe inteiramente um projecto, que dignifique a sua obra de cariz instrumental, composta por um variadíssimo leque de estilos musicais: mornas, valsas, chorinhos, boleros, coladeras, fox-trot…”
O produto final desta pesquisa em torno da obra de Rendall, vasculhando manuscritos que, “embora rudimentares, comportam o essencial da sua vasta produção melódica, deu origem ao 1º volume do CD “FOGO DI MAR – Um Tarde K PA’LIS – uma homenagem a Luís Rendall”, lançado ao vivo em Lisboa, corria o mês de Dezembro de 2010, no emblemático Teatro Aberto. Trabalho que, entretanto, foi agraciado com Declaração de Interesse Público pelo Ministério da Cultura português.
Fogo di Mar, primeiro grande projecto sedeado na obra do compositor cabo-verdiano, tenciona gravar em volumes toda a sua obra.
 «Nascido a 28 de Fevereiro de 1898 na ilha de São Vicente, Luís Rendall foi um dos mais emblemáticos e inspirados compositores do património musical cabo-verdiano, criador das mais belas melodias e, caso raro, de música instrumental de raiz popular, ficando conhecido como Mestre Luís Rendall.
«Luís Rendall aglutinou linguagens, influências e cores musicais, não correu o mundo mas o mundo passou por ele: as suas profissões de guarda-fiscal, empregado de comércio, contínuo do liceu Infante D. Henrique no Mindelo e faroleiro com funções em Santo Antão, São Vicente e Boavista, desde cedo lhe permitiram o contacto com muitas “gentes”, músicos e artistas de outras culturas, proporcionando-lhe um intercâmbio extremamente enriquecedor.
«A ele se atribui a invenção do solo de violão, género tão crioulo e expressivo dos sentimentos do povo de Cabo Verde, tornando-o, já em vida, numa lenda.
Como referiu a cantora Celina Pereira: “Luís Rendall criou uma escola de violão” ensinando, partilhando, criando discípulos e influenciando mestres e músicos como B. Leza, Tazinho, Taninho, Voginha, Baú, João Severo, Titina, Celina Pereira, Cesária Évora …
«Infelizmente a maior parte da sua obra não ficou registada fonograficamente de maneira a que as novas gerações tomassem contacto com a sua vasta e genial criação.
«Vale-nos a sua decisão de estudar solfejo na Escola de Musica Aberta em São Vicente onde aprendeu a escrever as suas excepcionais composições, cujos manuscritos sobreviveram até hoje.
«“…facto curioso é que, aos poucos, músicos têm seguido a via de composição de solos instrumentais e muito poucos têm procurado interpretar os solos de Luís Rendall” in Kab Verd Band, Carlos Filipe Gonçalves, 2006.» 
fonte: Liberal 

1 comentários:

  1. Agradecemos muito a publicação e o vosso apoio no sentido de divulgar a Obra Musical desse grande compositor que foi Luis Rendall! Bem Hajam!

    Fogo Di Mar

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