domingo, 19 de junho de 2011

“Cidade Velha Património Mundial” vai a exame na Unesco

 O relatório sobre o estado de conservação da Cidade Velha vai ser apresentado por um representante do Ministério da Cultura e do IIPC ao Centro Património Mundial – Unesco, em Paris, a partir deste domingo, 19, e até o dia 29 deste mês. Da “aprovação” do trabalho feito até agora depende a continuidade da classificação deste sítio histórico, marco importante para Cabo Verde e para o seu sector turístico.

Inscrita há dois anos como Património Cultural da Humanidade, a Cidade Velha vai pela primeira vez a “exame” junto da Unesco. Esta entidade internacional vai verificar até que ponto as questões menos boas, assinaladas no início do processo, sofreram melhorias. O ajustamento do plano de gestão às principais necessidades no terreno é outro item que tem de passar no exame.
“Mas estamos bastante optimistas”, continua. “Basta ver um pouco de outras experiências com que tivemos contacto. Há sítios com mais de 20 anos inscritos na lista de Património Mundial que não têm sequer um Plano de Gestão, ou que não conseguem materializar as questões do plano. Além disso, basta vermos os índices de satisfação da população local e das autoridades”.
A defesa do projecto será feita num espaço de três minutos, perante uma audiência composta por especialistas internacionais.
Uma das principais debilidades apontadas a este projecto tem sido as intervenções urbanísticas e arquitectónicas que, ao longo dos anos, têm vindo a desvirtuar a matriz histórica da Cidade Velha. Mas esse problema poderá estar finalmente perto da solução. O Plano Director Municipal e os demais planos urbanísticos estão concluídos e em fase de aprovação, tal como as Normas de Construção previstas para este sítio histórico.
As próprias divergências que até aqui tinham, de alguma forma, oposto as suas entidades envolvidas na gestão desse Património Mundial – o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago – agora parecem estar ultrapassadas.
Manuel António de Pina, edil da Ribeira Grande de Santiago, afirma que “actualmente, a relação entre as duas instituições é óptima. O novo ministro da Cultura é uma outra pessoa, que tem feito tudo para potenciar esta política de desenvolvimento”, assina o autarca que aproveita ainda para minimizar as diferenças assinaladas no passado pelas duas partes.
Mas o que poderá significar uma possível “reprovação” pela Unesco? Jair Fernandes, Director da Salvaguarda do Património, diz que isso colocaria a Cidade Velha na lista de Património Mundial em Perigo, “que é o primeiro passo antes de sair da lista de Património Mundial. Normalmente, isso acontece quando os sítios se encontram, sobretudo, em regiões de conflito, o que não é o nosso caso”, diz confiante.
As exigências da Unesco
No que diz respeito aos parâmetros de análise pedidos pela Unesco, eles estão divididos por quatro áreas complementares: a conservação dos valores arquitectónicos; o reforço da sua gestão e valorização; a melhoria das condições de vida dos moradores da Cidade Velha e a valorização do seu Património Imaterial.
O processo de implementação destas medidas, liderado pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto de Investigação do Património Cultural, decorre desde 2008 a esta parte e tem, na opinião dos seus responsáveis, priorizado desde o início as questões relacionadas com a melhoria das condições de vida da população.
Dentro deste campo, Jair Fernandes, director da Salvaguarda do Património do Instituto de Investigação do Património Histórico, realça as obras de reabilitação e melhoria de habitabilidade num grande número de casas, mas também os grandes avanços conseguidos a nível do saneamento, cobertura de água canalizada, recolha e tratamento dos lixos sólidos e a construção da Escola Secundária da Ribeira Grande de Santiago.
Apesar de algumas críticas face ao que foi feito até agora – e principalmente, face ao que não foi feito – este responsável do IIPC relembra que “o Plano de Gestão que comporta a Cidade Velha é extremamente ambicioso, de médio prazo – quatro anos – e teve o seu início ainda antes de sermos Património Mundial”.
E continua: “o nosso balanço aponta 70% a 80% do plano cumprido, e ainda temos até ao final de 2012 para fazer mais coisas. É verdade que existiram alguns obstáculos e que algumas das acções projectadas não foram implementadas, mas isso ficou a dever-se a questões financeiras ou de interesses vários”.
Sensibilizar a população local, formar os profissionais que estão a implementar o Plano de Gestão, reabilitar e conservar alguns monumentos são outras intervenções referidas.
A par da defesa dos bens já inscritos, serão apresentados 42 novos sítios de valor cultural ou natural à Unesco, sete dos quais respeitantes a países africanos.

Fonte: A Semana 

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