segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tabanca: Tradição corre o risco de extinguir

 
O presidente da Associação Nacional da Tabanca (ANT), Luís Leite, defendeu que a tradição da tabanca está em risco de extinção por falta de apoios da sociedade, do Governo e das autarquias locais.
Em entrevista à Inforpress, Luís Leite garantiu que a sua grande preocupação é que um dia a tabanca deixe de existir. "Estamos a correr um risco permanente de extinção e o mínimo de descuido pode fazer com que a tradição de brincar a tabanca acaba por morrer", assegurou.

Apesar de todos os trabalhos que a Associação tem vindo a desenvolver, no sentido de resgatar essa tradição, "de pouco valem se os outros não apoiarem essa iniciativa de levar a tabanca para um patamar elevado", desabafou o presidente da organização, que tem por mandato preservar e promover a tabanca em Cabo Verde.
"Temos vindo a fazer esforços para resgatar a tabanca, mas tem sido difícil porque não temos conseguido apoios", admitiu o presidente da ANT, precisando que "todos os grupos da tabanca carecem de instrumentos novos para actuarem, designadamente tambores, búzios e cornetas".
As cornetas, explicou, estão difíceis de conseguir em Cabo Verde, razão porque a Associação está a investigar onde é que elas poderão ser encontradas, para, depois, pedir apoios para a sua aquisição.
Para além dos instrumentos, Luís Leite citou outras necessidades, nomeadamente os vestuários e a construção de uma casa da tabanca para preservar os equipamentos e a história dessa tradição.
"Os grupos não têm todos os vestuários adequados para desfilarem. Em relação à casa da tabanca, é uma necessidade, uma vez que têm guardado os instrumentos nas capelas, mas isso não está a ajudar na preservação dos equipamentos", afirmou.
O grande desafio da Associação, segundo Luís Leite, é conseguir parcerias junto do Ministério da Cultura, das câmaras municipais e da sociedade civil.
"Sozinho não é possível salvar a tabanca. Precisamos reunir esforços para levar a tabanca para onde queremos que ela esteja. A luta tem de ser de todos os cabo-verdianos, porque a tabanca é uma das tradições mais antigas do nosso país", salientou.
O objectivo maior da Associação, como disse, é resgatar todos os grupos de tabanca que agora estão inactivos. "O meu objectivo é salvar a tabanca para que ela não morra, mas, para isso, temos de não só ajudar os grupos inactivos para passarem para activos, mas também ajudar e defender os que estão activos para que nunca acabem", frisou.
As festividades da tabanca começam a 3 de Maio, dia de Santa Cruz, e vão sendo realizadas em dias santos de Maio a Julho. Este ano, "nem tudo está a correr como antigamente", fez saber Luís Leite.
"Normalmente nesta época, todas as tabancas vêm à cidade de Assomada para brincar essa tradição mas, este ano, ainda não vimos nenhum grupo a desfilar, devido à falta de apoios", confirmou o presidente da Associação Nacional, para quem "não se justifica mais que os grupos saiam das suas comunidades para virem ao centro se as pessoas não contribuem".
O presidente da Associação deixa, por isso, uma mensagem a todos: "é preciso que a sociedade dê mais valor à tabanca e que todos nos envolvamos, dando a nossa contribuição para que a tabanca se afirme como património nacional para poder ter outras aspirações no plano mundial".
As festas da tabanca realizam-se em homenagem aos santos padroeiros, que corresponde à devoção dos santos dos católicos: Santa Cruz (03 de Maio), Santo António (13 de Junho), São João (24 de Junho) e São Pedro (29 de Junho).
Para o lado considerado profano, estabelece o ritual simbólico do roubo do santo, bem como a festa com a participação do povo que culmina com dança, bebida e comida. A dança, geralmente, é o batuque, a bebida, o grogue, e a comida é a cachupa.
As cores garridas o ritmo quente, as canções alegres, a firmeza do batuque, o rufar dos tambores, marcando compasso ao som dos búzios são imagens que destacam o cortejo da tabanca das demais manifestações de rua.
No entanto, o cortejo constitui uma das facetas de uma manifestação mais complexa, que ainda associa actividades de cultos, socorro mútuo a alegrias e tristezas, entre outras actividades que, no conjunto, formam a tabanca, que é brincda nas ilhas de Santiago e Maio, mas principalmente na primeira.

26-6-2011, 03:15:45
Fonte: Inforpress/ExpressodasIlhas

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