segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nhu Santiagu – Longe da Boca do Porto de Pedra Badejo

 Entre o sagrado e o profano, a geração emigrada das ilhas, dos idos de setenta do século passado, continua a lutar para manter a sua tradição em terras da diáspora. Durante o ofertório, lá estavam os símbolos dessa travessia no tempo e no espaço e que melhor falam de uma história ainda por contar: as bandeiras de Portugal e Cabo Verde, a talocha e a colher da construção civil, aos frutos tropicais num balaio, a Bíblia e uma maleta, a dança e os cânticos. É hora da missa nas festividades de “Nhu Santiago”. O sol inclemente faz com que os crentes e assistentes se distribuam sob as árvores que se parecem ilhas de sombra e de fé.

Como é já da tradição, esta é sexta vez que a Associação de Moradores do Alto de Barronhos e Associação dos Amigos de Santa Cruz, apoiados pela Câmara Municipal de Oeiras e pela Junta de Freguesia de Oeiras, organizam as festividades, antes da procissão, usaram da palavra os representantes das autarquias já mencionadas e o Presidente da Assembleia Municipal de Santa Cruz, José Jorge Silva, para enaltecer uma comunidade que trabalha e se integra no país de acolhimento mas procura manter laços fortes com as suas raízes e é grata para aqueles de quem recebe apoio.
José Jorge Silva era um filho de Pedra Badejo emocionado na sua intervenção. Disse que se sentia em casa, tal a recepção que teve. Para o asemanaonline declarou que teve encontros informais com os jovens que se preocupam, sobretudo, com um posto de trabalho na iminência do regresso. Falou ainda do novo mercado na Achada Fátima, na praça que futuramente será o antigo mercado e no projecto de um resort na zona da Coroa.
O programa começou a 22 com actividades desportivas e recreativas e culminou com a tarde cultural, domingo, depois o lauto almoço com as iguarias da terra, em que a nova geração mostrou as suas habilidades sobretudo na dança e na música na qual o funaná continua a dar cartas e a ser um forte atractivo para muitos que nunca pisaram as ilhas mas ambicionam um dia fazê-lo.

Fonte: A Semana

 

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