sábado, 9 de julho de 2011

Praia: Mais Platô para as pessoas e mais gente no Platô

A um dia da "devolução" simbólica da rua pedonal 5 de Julho à cidade, na data histórica que lhe dá o nome, a Câmara Municipal da Praia (CMP) promoveu o Fórum Nacional "Desafios da Pedonalização na Cidade da Praia". Reflectindo sobre a primeira experiência com uma rua pedonal, foi analisado o repto da aposta em mais ruas restritas à circulação automóvel e debatido o impacto dessa opção, na urbe.
"No fórum vamos fazer a avaliação daquilo que já está feito e das próximas etapas. Com base na experiência da rua 5 de Julho vamos ver se há espaço e condições de fazer outras ruas pedonais, aqui no Platô, " clarifica Ulisses Correia e Silva.
O "como" concretizar essa pedonalização e o debate sobre qual o "melhor aproveitamento dessas requalificações no sentido da dinamização da actividade comercial e cultural", foram também pontos fulcrais do fórum.
Num período em que, tal como no resto do globo, a (iminente) introdução das grandes superfícies comerciais retira as pessoas das ruas e ameaça o pequeno comércio, a pedonalização é uma intervenção importante. As ruas pedonais constituem centros comerciais ao livre, que permitem fazer as compras em segurança, e que podem acolher várias actividades convidativas, como as actividades lúdico-didácticas ou culturais.
Mas a acção da Câmara, sendo importante, não basta. O sucesso das iniciativas para transformação do Platô num centro apelativo, "irá depender daquilo que nós enquanto câmara iremos fazer e do engajamento de todas as outras entidades, culturais, comerciais que se envolvem na vida da cidade", salienta o presidente da CMP.
Na rua 5 de Julho falta ainda reforçar a iluminação, algo que a CMP está a tratar. E falta pintar as fachadas, mas aí o "ritmo irá também depender dos particulares".

"A rua pedonal não é uma peça solta no processo de requalificação do centro histórico"
A par com a transformação da Rua 5 de Julho em artéria pedonal, há todo um conjunto de acções de requalificação previsto para o "coração" da cidade.
Com a construção do novo mercado municipal, surge o debate sobre o perfil que o mercado do Platô deve apresentar no futuro. 
Espaços como o Cine-teatro da Praia e o Miradouro Diogo Gomes serão também requalificados. E a esplanada da Praça Alexandre Albuquerque vai abrir ao público, em data próxima.
Para o Presidente da CMP, esta aposta na valorização e dinamização do centro histórico é algo que todos os praienses, nomeadamente os que vivem em outros bairros valorizam. O orgulho no centro histórico e o aumento da auto-estima dos praienses são transversais a todas as zonas da cidade, considera.
E a ideia é também que o Platô seja, de facto, um centro de referência turístico para a cidade.
Mas nem só com o turismo se dinamiza um local. A sua gente, os seus habitantes, são essenciais e trazer moradores para o Platô, um factor incontornável nesta acção de "dar vida" ao centro.

Edifícios administrativos podem tornar-se espaços de habitação
Uma das propostas da CMP, nesse sentido é que os edifícios que agora albergam ministérios e outras entidades que serão transferidas para a Cidade Administrativa, sejam convertidos em habitações.
"Por exemplo, suponhamos que o ministério das finanças sai do espaço onde está. Esse mesmo edifício poderia ser disponibilizado para apartamentos para jovens casais."
O Platô já foi, em tempos residencial, um centro residencial. Depois foram instalados os serviços e os moradores mudaram-se para outros bairros.
"Agora temos que fazer o movimento ao contrário. Tirar os serviços e trazer novamente pessoas. É essa a nossa intenção, o nosso desejo".
As residências universitárias, seriam também um bom motor de dinamização do Platô.
"E o espaço existe", insiste Correia e Silva. "Temos por o edifício do banco central. O banco central vai passar para a Achada de Santo António, quando a sede estiver construída, assim como outros edifícios (...). Portanto, há muito espaço desde que haja vontade de fazer e de contribuir para que o Platô tenha realmente vida porque isso é fundamental para a vida da cidade e para a sua própria salvaguarda".

Um Parque de Estacionamento na encosta
A introdução de parquímetros e a construção de um Parque de Estacionamento com vários pisos também deve libertar um pouco o Platô do excesso de carros. O Parque de Estacionamento será construído, segundo o previsto, na encosta que sobe por trás da zona de Sucupira, dando acesso à entrada de Ponta Belém. O Parque será realizado em parceira com a EMEL (Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa).
"Estamos apenas aguardar, primeiro a autorização da assembleia municipal de Lisboa para que a EMEL possa fazer parte da sociedade que nós iremos constituir e depois autorização também da assembleia municipal da Praia, para que CMP faça parte dessa sociedade", adianta Correia e Silva.


O Fórum
O Fórum Nacional sobre "Desafios da Pedonalização na Cidade da Praia", realizou-se na segunda-feira, 4, nos Paços do Concelho, e foi dividido em dois painéis. No primeiro, sobre o "Platô na História", Lourenço Gomes falou do "Percurso histórico do Platô" e José Maria Semedo da "Vivência Urbana do Platô". Coube a Arlindo Mendes o papel de moderador da mesa.
No segundo painel, intitulado "Ruas Pedonais e Desenvolvimento Urbano" debateram-se, sob moderação de Judite Nascimento, as "Perspectivas para a Rua 5 de Julho". Alcides Moura, Olavo Correia e o arquitecto Carlos Évora foram os intervenientes.

9-7-2011, 03:23:41
Expresso das Ilhas

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