quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ADRIANO DUARTE SILVA: por Virgílio Rodrigues Brandão


EU RECORDO-TE, ADRIANO DUARTE SILVA Hoje, hoje faz 50 anos que Adriano Duarte Silva morreu na sua cidade natal, no Mindelo, S. Vicente. Sei que não haverá hastear de bandeiras ou bandeiras a meia-haste, nem momento solene na Assembleia Nacional ou nos Municípios pelo qual lutou, nem nas Universidades e nas escolas se ouvirá o seu nome; o Ministério da Cultura e da Educação verão este dia como mais um outro; sem nada de assinalável... e provavelmente nem uma flor enfeitará o seu busto no Mindelo... mas isso não é o pior! O que é uma dor de alma é o seu povo não saber o quanto Adriano Duarte Silva fez por Cabo Verde; não tanto por ter sido esquecido mas porque a história oficial de Cabo Verde, construida pelo PAIGC/CV, tudo se fez para o apagar da História. E, por convicção, afirmo: nunca nenhum outro cidadão fez tanto por Cabo Verde como o Mindelense Adriano Duarte Silva; ombreia e ultrapassa de longe Amilcal Cabral em feitos e em visão para Cabo Verde (a história, hoje, dá-lhe razão). Era, verdadeiramente, um exemplo de cidadania. Um verdadeiro herói nacional; sê-lo-ia em qualquer outro país do Mundo; em qualquer país que não uma coutada de dez por cento em que Cabo Verde se fez nos últimos 36 anos. Sim, hoje não haverá tempo para a memória; pois não há espaço para ela. Num país de políticos decentes, fraters dos que amam e amaram Cabo Verde, em que não se tivesse medo da história, hoje seria um dia de Memorial. Mataram Amílcar Cabral de uma forma, e Adriano Duarte Silva de outra... mas ainda que esteja morto, viverá! Recordo-me de ti sem te ter conhecido, e dos teus feitos Adriano Duarte Silva. Hoje e sempre, obrigado. Mostras-te-nos, antes de sermos independentes e criarmos moinhos de ventos, o que significava ser livres na alma com os instrumentos do saber e a ambicionar mais e melhor. Ave benedictus Adriano Duarte Silva, gratia plena, Dominustecum.

Fonte: Virgílio Brandão in facebook.com

2 comentários:

  1. Um forte aplauso, por este certeiro e certíssimo texto. Quem oferece a ovação esteve na inauguração do busto, lá na pracinha do Liceu Gil Eanes, como... filiado da Mocidade Portuguesa (a stóra está contada por escrito, algures).

    Muitos anos mais tarde, em 30 de Julho de 1999, encontrava-me junto a ele (a tentar apagar marcas de giz) quando recebi por telemóvel a notícia proveniente de Almada de que o escultor que o modelara, Martins Correia, tinha falecido nesse mesmo dia.

    Um braça para o Virgílio que escreveu a prosa e outro para o Carlos que a publicou.

    Djack

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  2. Obrigado Joaquim Saial. O Virgílio disse e bem. Só falta dizer que Cabo Verde ainda não se reconciliou com a sua história. A luta no campo memorial é pão nosso de cada por parte dos dois maiores partidos. Investigação independente urge!

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