quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Cidade Velha; reencontro com a História



A Cidade da Ribeira Grande, conhecida como a cidade velha, já foi nova. Sofreu no compasso de espera como muitos corpos que se tornaram adultos. De corpo presente, presenciara na sua ventre inúmeras atrocidades, mas também de criação de novos corpos no cruzamento de ADN. A crioulização do novo mundo muito se deve a este modesto poisio dos sexos forçados e tolerados. Na falta de mulheres brancas e de boa qualidade, só servia os corpos dos corpos desnaturados vindo do continente africano, concretamente da costa oeste africana. Situações houve em que corpos de corpos desnaturados se relacionavam e se reproduziam numa relação horizontal de criações. A diferença no tecido social era evidente; de corpos de tez diferentes – brancos, mulatos e pretos-, relações de poder diferente.
A Cidade enquanto moça era pequena mas enorme na sua desenvoltura. Apetitosa, libidinosa e desenvolta nas suas aspirações; comercio alargado, relações facilitadas, e vantagens continentais. Inclusive já granjeara fama no panorama transatlântico e nos trópicos como entreposto comercial de comércio do corpo humano mas também por ser a primeira cidade nos trópicos. Por isso é que dizemos que já foi moça traquina nos seus tempos da juventude ao servir de camas, berços da criação e da mortificação dos corpos. Outrossim, o seu contributo enquanto laboratório de animais, plantas de formação de ladinização dos escravos para outras latitudes. Os corpos eram cunhados de códigos linguísticos que o prelado e outras forças eclesiásticas mencionavam com orgulho. Ensinar e formar almas desnaturadas. Almas que não conheciam a civilização. De grilhões e correntes aprendiam as línguas do poder, por que o futuro era o Brasil, Portugal, Sevilha e outros confins do mundo. 

0 comentários:

Enviar um comentário